Tenho andado aborrecida. Quando digo aborrecida não me refiro a zangada, desgostosa ou melancólica mas apenas, aborrecida.
Estou em casa. Olho para a esquerda, coisas para limpar. Olho para a direita, coisas para lavar. Olho para baixo, coisas para apanhar. Olho para cima, bem, não há nada lá em cima no tecto mas, percebem a ideia.
Por muito que goste de estar em casa, a verdade é que não faço nada excepto ajudar nas tarefas domésticas. Todos os dias a mesma rotina: fazer camas, lavar loiça, limpar isto aqui e ali e fazer almoço.
Ontem, na minha inocência de menina-mulher pensei: "Quando for mãe vai ser assim! Fazer-lhes bolinhos para levarem para a escola, levá-los à natação e ao karaté, brincar com eles no parque, mandá-los ir lavar os dentes e ler-lhes histórias para adormecer. Dar-lhes tudo o que tive e tudo o que não tive!"
Depois desta visão futurista apercebi-me! Eu não quero ou consigo uma vida assim! Eu sou uma mulher forte, moralista e independente (não economicamente, isso é claro!) e preciso de algo com que me debater no dia-a-dia! Algo que me faça puxar pela massa cinzenta que se encontra na nossa cabeça!
Claro, quero poder ter uma família um dia! Qualquer mulher quer, por muito que digam que não, ter bebés. Fomos "desenhadas" com esse propósito - continuação da espécie! No entanto, num ambiente depressivo nenhuma criança cresce saudável, a nível físico e psicológico.
Portanto se quiserem filhos, pensem primeiro em vocês! Se se sentem realizados e felizes força com uso do pincel! Mas nenhum de nós pediu para vir ao Mundo e são os nossos pais os nossos protectores e não inimigos. Por isso, primeiro estamos nós e só quando eles forem gerados, estão eles.
Compreendo perfeitamente! Queremos ter família e tudo isso mas não queremos ter uma vida depressiva, em que tudo o que fazemos é pôr a casa bonita para quando os meninos e o marido voltaram das suas respectivas ocupações.
ResponderEliminarSomos pessoas, temos de fazer algo que nos realize de modo a sermos felizes e a fazermos os outros felizes.